sexta-feira, 24 de julho de 2009

Como era de se esperar: A UNE no rumo certo

Tiago Ventura e Joanna Paroli*

Nos dias 15 a 19 de julho, jovens de todos os estados do País se reuniram para realizar o 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes. Contando com a participação de mais de 10 mil estudantes, com delegados eleitos em 92 por cento das universidades brasileiras, o encontro entrou para história como o mais representativo da entidade, reforçando a história de lutas e legitimidade da UNE no seio dos estudantes e do movimento social brasileiro.

O 51º Congresso da UNE teve como marco comemorativo os 30 anos do Congresso da UNE de Salvador, realizado em meio à ditadura militar na perspectiva de refundar a entidade, até então fechada e perseguida pelo governo militar, colocando-a ativamente na luta pela redemocratização do País. Dessa forma, um dos pontos altos do 51º CONUNE se deu em torno do direito à memória dos estudantes perseguidos e mortos durante a ditadura, como o presidente da UNE “desaparecido” Honestino Guimarães, e dos militantes envolvidos nos processos de contestação dos anos de chumbo, como a guerrilha do Araguaia.

Outros momentos importantes fizeram parte desse Congresso. A realização do ato público em defesa da Petrobras, que se desdobrava na campanha contrária à CPI instaurada pela direita privatista contra a empresa, pelo fim dos leilões de petróleo e pela criação de uma empresa estatal para exploração da camada pré-sal. O ato reforçava a luta histórica da UNE por uma nova concepção de Estado, na qual bens estratégicos como o petróleo devem ser encarados e explorados a partir do seu caráter público, tendo como finalidade o combate às desigualdades sociais, em contrapartida ao desejo da direita, que gostaria de ver a Petrobras privatizada nas mãos do capital financeiro mundial. A UNE continua na vanguarda dos movimentos sociais quando colocou, na última gestão, a Campanha pela Legalização do Aborto como pauta prioritária e a construiu nas universidades de todo o país. Nesse Congresso, dezenas de estudantes uniram-se ao Ato contra a CPI do Aborto, instaurada na Câmara Federal, reafirmando o compromisso da UNE com a luta feminista e por uma educação libertária e livre de todas as opressões.

Por fim, o 51º CONUNE reafirmou, ao longo de todas as suas atividades, principalmente nas resoluções aprovadas na plenária final, a opção acertada de diálogo com a sociedade brasileira que a UNE trilhou no último período, reconhecendo os avanços e as contradições do Governo Lula, e dos governos populares da América Latina, entendendo que somente por meio da mobilização e pressão dos movimentos sociais é possível aprofundar as mudanças e construir alternativas ao mercado e ao sistema capitalista consolidado na sociedade mundial.

Foi precisamente no sentido de reforçar o diálogo e a necessária disputa de rumos que ocorreu a participação do Presidente Lula, a primeira participação de um presidente da república em um congresso estudantil na história do país. A atividade foi marcada pelo tom crítico dado pela intervenção da ex-presidente da entidade Lúcia Stumpf, exigindo assistência estudantil aos estudantes do Prouni, a ampliação e aplicação do programa somente em universidades que possuam pesquisa e extensão e a auditoria das contas das universidades que recebem a isenção, reforçando a inclusão de parcelas expressivas da população no ensino superior e construindo marcos regulatórios importantes do ensino privado.

Como era de se esperar, no decorrer do Congresso, e, principalmente, ao seu final, a grande mídia conservadora e monopolista – com destaque negativo para a Folha de São Paulo e as Organizações Globo - produziu uma série de matérias questionando as atividades construídas ao longo do evento, acusando a entidade de estar atrelada ao Governo Federal por receber apoio para realização do Congresso da Petrobras e de ter “abandonado a educação e as bandeiras históricas”, ignorando as resoluções aprovadas após cinco dias de debates. Os ataques chegaram ao cúmulo de tentar desmoralizar individualmente o estudante Augusto Chagas, recém-eleito presidente da UNE.

Trata-se de uma nítida tentativa de criminalizar e desqualificar a atuação de uma entidade que possui 72 anos de história em defesa do povo e da juventude brasileira, exemplificada na campanha do "Petróleo é nosso", na luta pelas reformas de base e contra a ditadura militar, nas lutas pelas "Diretas Já" e pelo "Fora Collor" e na resistência à privatização da Universidade Pública, organizada pelo Governo FHC na década de 90. Enquadra-se no contexto de perseguição organizada pelos setores conservadores, com braços infiltrados desde o Poder Judiciário até o Senado Federal, aos movimentos sociais combativos da sociedade brasileira, como os lançados recentemente contra o MST e o MAB, enxergando-os como organizações terroristas, organizadas pelo Governo a partir da liberação de verbas públicas. O enredo é sempre o mesmo, pois ao lado dos movimentos sociais se encontra a UNE, e do outro lado se encontra a aliança Demo-Tucana, que tem a imprensa monopolista como grande porta-voz.

A imprensa brasileira não quis informar à sociedade que o apoio da Petrobras se deu também no 50º Congresso da UNE, realizado em 2007. Neste encontro, a entidade levou, em parceria com a Coordenação dos Movimentos Sociais, mais de 8 mil estudantes às ruas exigindo o "Fora Meirelles", demarcando a sua posição de discordância com a política econômica do Governo Federal e a sua autonomia política, que é constantemente reafirmada na política de boicote ao ENADE, nas críticas à política de comunicação e nas exigências de se avançar cada vez mais nos investimentos e democratização da Universidade brasileira, derrubando, por exemplo, os vetos dados pelo Governo FHC ao Plano Nacional de Educação e a manutenção da Desvinculação da Receita da União na área da educação.

As críticas e a perseguição por parte da imprensa são resultados sobretudo da política acertada da entidade e das resoluções aprovadas no Congresso. Ocorrem porque a imprensa das elites brasileiras é contra a inclusão do setor privado no Sistema Nacional de Educação e a ampliação de vagas nas Universidades Públicas, em especial para os negros e negras filhos da classe trabalhadora; é contra a luta pela autonomia das mulheres e obtêm lucro com a mercantilização de seus corpos e suas vidas; é contra a realização da Conferência Nacional de Comunicação e a construção de um sistema público de comunicação; é contra a abertura dos arquivos da ditadura militar, porque se encontra envolvida com os porões da chamada "ditabranda", conforme editorial da Folha de São Paulo; e, acima de tudo, ataca a Petrobras e a UNE por ser contrária à criação de uma Estatal para a exploração da camada pré-sal com seus lucros voltados prioritariamente para educação, saúde e desenvolvimento social.

À imprensa conservadora resta a UNE responder: se assim não fosse, estaríamos preocupados, se estivessem contentes, estaríamos no caminho errado. Vida longa aos 72 anos de luta e combatividade da União Nacional dos Estudantes.



*Tiago Ventura é Vice-Presidente da UNE e Joanna Paroli é Diretora da UNE, ambos eleitos no 51º CONUNE

Nota pública da Kizomba sobre o 51 Congresso da UNE


Opinião da Kizomba sobre o 51º Conune


Nota de Esclarecimento


Devido as recorrentes reportagens veiculadas na mídia de todo o país sobre as depredações ocorridas nas escolas públicas do Distrito Federal que serviram de alojamento aos delegados e delegadas do 51º Congresso da UNE, viemos ponderar o que segue:


1 - A Kizomba, corrente interna do movimento estudantil, esteve alojada na CED - CESAS (SGAS 602 BL D). Nesse local ficaram cerca de 400 estudantes do mais diversos estados do Brasil;


2 - Foi nossa primeira preocupação garantir a conservação do local. Em um ambiente onde circulariam centenas de pessoas o lixo se acumularia com grande rapidez. Para evitar isso foi escalada uma comissão que buscava manter o local limpo, espalhamos cartazes de conscientização, entre outras ações;


3 - A escola não tinha chuveiros nos banheiros. Foram instalados, portanto 5 chuveiros no banheiro feminino e 5 no banheiro masculino, inclusive esses chuveiros permaneceram na escola e poderão ser usados pelos alunos da escola;


4 - Dentro das salas de aula e ao redor da escola havia diversos trabalhos de estudantes fixados nas paredes. Ao contrário do que diz as reportagens, nessa escola, nenhum trabalho escolar foi arrancado ou vandalizado, em algumas salas ainda permaneciam recados, nos quadros, de antes do período de férias escolares;


5 - A escola também estava em reformas que, com certeza, melhorarão a qualidade do atendimento escolar dos alunos. Todos os nossos delegados e delegadas conviveram com as reformas que, às vezes, resultava em interrupção no fornecimento de água para os banheiros;


6 - Cabe salientar, também, que havia apenas 2 banheiros para um volume muito grande de pessoas, mas mesmo assim o local em nada se assemelha ao estado relatado pelos meios de comunicação;


7 - A Kizomba é uma das correntes do movimento estudantil que defende uma nova cultura política. Não fazemos apenas discursos, temos prática política e de ação que é reconhecida pelo conjunto dos universitários e que nos transformou na segunda bancada do Congresso da UNE. Dentre as nossas defesas está a da Educação Pública, Gratuita e de Qualidade e seríamos os últimos a depredar o patrimônio que não é do governo mas da comunidade do Distrito Federal;


8 - Condenamos veementemente os excessos cometidos em outros locais e censuramos os nossos próprios colegas se comentaram atos de vandalismo como os relatados. Por fim, queremos deixar firmado que não pode ser feita uma generalização, como foi feita.


Há que se fazer a diferença e ressaltar quem se comportou de maneira diferente, algo que as reportagens não tem feito.


Atenciosamente Kizomba Corrente interna do movimento estudantil

terça-feira, 21 de julho de 2009

Das Ruas, das praças, da luta não fugiu. Kizomba é a corrente que mais cresce no Brasil!

Esse último periodo foi de extrema importância para nós e para os/as estudantes brasileiros/as. A Kizomba se consolidou como a segunda força do Mov. Estudantil brasileiro e com um nível de influencia que nunca tivera antes. O Projeto de Reforma Universitária da UNE, por exemplo, aprovada no CONEB, é cópia de nossa tese para este forúm.

A direita brasileira comça a mostrar suas garras e nós da esquerda precisamos estar preparados. Reconhecer nossos aliados, estrategicos e pontuais, e comprar essa briga.

É claro que ainda há muito por fazer, muito por melhorar, mas temos avanços indiscutíveis. Não é à toa que a Lucia Stumpf termina a gestão falando em feminismo e combate ao machismo, com certeza esse debate ela não aprendeu na UJS. Foi a relação com as militantes da Kizomba que deram esse debate pra ela (mesmo que seja minimo).

Estamos trilhando o caminho certo. Influenciando cada vez mais o M.E. brasileiro. E isso se dá por causa de nossa política acertada, tanto na nossa tática, quanto em nossa formulação. Sem sectarismos ou comportamentos como se fossemos supra-sumo do M.E.

Agora para o próximo período precisamos estar unidos na consolidação daquilo que conquistamos, avançar na luta em defesa da educação, da democracia e da nova cultura política, não só no Mov. Estudantil, mas na política brasileira como um todo.

Esse próximos dois anos serão crucias para que não tenhamos na agenda politica central no Brasil a agenda neoliberal.

Após dez anos militando no M.E., dez anos onde vi de quase tudo, de bom e de ruim, afirmo que com muito orgulho encerro minha participação nesse movimento social tão importante para a vida política nacional, militando na Kizomba!


Cadu Amaral
3º Diretor de Movimentos Sociais da UNE / 2007 - 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Emir Sader: Os reconhecimentos a FHC

Deu no Blog do Emir Sader (clique aqui)


Os reconhecimentos a FHC

Que cada um expresse aqui o reconhecimento que FHC pede.

Felizmente para a oposição, FHC não se contêm, não consegue recolher-se ao fim de carreira intelectual e política melancólicos que ele merece. E cada vez que fala, o apoio ao governo e a Lula aumentam.

Agora reaparece para reclamar que não se lhe dá os reconhecimentos que ele julga merecer. Carente de apoio popular, ele vai receber aqui os reconhecimentos que conquistou.



Em primeiro lugar, o reconhecimento das elites dominantes brasileiras por ter usado sua imagem para implementar o neoliberalismo no Brasil. Por ter afirmado que ia “virar a página do getulismo”. Por ter, do alto da sua suposta sapiência, dito a milhões de brasileiros que eles são “inimpregáveis”, que ele assim não governava para eles, que não tinham lugar no país que o tinha elegido e para quem ele governava.

O reconhecimento por ter dito que “A globalização é o novo Renascimento da humanidade”, embasbacado, deslumbrado com o neoliberalismo.

O reconhecimento por ter quebrado o país por três vezes, elevado a taxa de juros a 48%, assinado cartas de intenção com o FMI, que consolidaram a subordinação do Brasil ao capital financeiro internacional.

O reconhecimento dos EUA por ter feito o Brasil ser completado subordinado às políticas de Washington, por ter preparado o caminho para a Alca, para o grande Tratado de Livre Comércio, que queria reduzir o continente a um imenso shopping Center.

O reconhecimento a FHC por ter promovido a mais prolongada recessão que o Brasil enfrentou.

O reconhecimento a FHC por ter desmontado o Estado brasileiro, tanto quanto ele pôde. Privatizou tudo o que pôde. Entregou para os grandes capitais privados a Vale do Rio Doce e outros grandes patrimônios do povo brasileiro. Por isso ele é adorado pelas elites antinacionais, por isso montaram uma fundação para ele exercer seu narcisismo, nos jardins de São Paulo, chiquérrimo, com o dinheiro que puderam ganhar das negociatas propiciadas pelo governo FHC.

FHC será sempre reconhecido pelo povo brasileiro, que tem nele a melhor expressão do anti-Brasil, de tudo o que o povo detesta, ele serve para que se tome consciência clara do que o povo não quer, do que o Brasil não deve ser.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ampla aliança ao 51º Congresso da UNE divulga manifesto

São esperados cerca 10 mil estudantes no maior e mais importante encontro do movimento estudantil do país. Já é o Congresso mais representativo de toda a história da entidade.

Na reta final do Congresso da UNE, um leque de forças políticas divulga manifesto propondo a unidade do movimento estudantil brasileiro para enfrentar a crise, aprofundar as mudanças no país e evitar retrocessos nas eleições de 2010.

Sete movimentos inicialmente assinaram o documento coordenado pela UJS (União da Juventude Socialista). Entre as correntes da JPT (Juventude do PT), assinam a CNB (Contruindo um Novo Brasil) de Pernambuco e do Rio de Janeiro, além da DS (Democracia Socialista). A JS (Juventude Socialista) do PDT de São Paulo, a JPMN (Juventude do Partido da Mobilização Nacional) de Permambuco e também a JPL (Juventude Pátria Livre) compõem o documento.

Ao todo, o conjunto das forças que assinam o documento responde por cerca de 70% dos delegados eleitos ao 51º Congresso da UNE. O manifesto consolida uma ampla aliança política para o encontro, que acontece de 15 a 19 de julho em Brasília, e também para a próxima gestão da União Nacional dos Estudantes.



Manifesto ao 51º Congresso da UNE

Estamos na reta final da mobilização para o 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes. Esta ação empreendida nos últimos meses por coletivos, correntes, movimentos e por diversas lideranças que constroem a UNE nos estados demonstra, de maneira cabal, a vitalidade do movimento estudantil.

O método de eleição dos representantes, em vigor desde o último Congresso, realizado através de eleições em urna em cada universidade, deu novo impulso à organização do movimento, proporcionou mais mobilização, aprofundou a democracia e fomentou debate de ideias mais consistente entre os estudantes. Esse rico processo promovido pela UNE deve ser saudado como importante avanço e conquista do conjunto do movimento estudantil brasileiro. Em última instância, ele é garantia de um Congresso para milhões de estudantes, massivo e politizado, de acordo com a história e a responsabilidade da União Nacional dos Estudantes.

Vivemos um período de riscos e oportunidades. Os últimos anos em nosso país apresentaram um quadro de avanços: crescimento econômico, expansão do mercado interno, maior distribuição de renda, vigor democrático que permitiu diálogo frutífero entre movimentos sociais e governo central, política externa altiva e soberana. De outro lado, diante de realidade promissora, persistiram amarras que condicionaram nosso incipiente retorno à rota do desenvolvimento: política econômica conservadora, baseada na liberdade de câmbio e na manutenção de taxas de juros elevadíssimas, que tem canalizado recursos para a especulação e o rentismo em detrimento do trabalho e da produção.

A crise capitalista, apesar de encontrar o país em melhores condições de resistência em vista de outras nações, já coloca o Brasil numa situação de desaceleração econômica, o que acaba por atingir negativamente a vida do trabalhador. O quadro de desaceleração e a pressão exercida por movimentos sociais e entidades obrigou até mesmo o Banco Central – núcleo da ortodoxia dentro do governo – a afrouxar sua modorra neoliberal e colocar os juros em rota descendente.

O momento deixa evidente qual a disjuntiva da vez: a luta política pelo caminho a ser adotado para sair da crise. Vêm daí os riscos e as oportunidades. A vacilação e a cedência frente às pressões do capital, que busca uma solução que preserve intactos os privilégios do setor financeiro, poderão jogar por água abaixo os avanços até aqui acumulados. Já uma postura altiva e decidida, que enfrente os interesses de tais setores dominantes e quebre de vez as amarras neoliberais, privilegie o fortalecimento do Estado nacional, a ampliação dos investimentos e dos direitos sociais poderá fazer com que o Brasil saia primeiro da crise e desponte em condição fortalecida no quadro mundial.

2010 no centro de debate

Esta disputa desembocará em 2010, quando as eleições definirão os novos governos estaduais e a Presidência da República. É por isto que o Congresso da UNE não poderá se esquivar do debate que vem sendo desenhado para esse embate. A todo custo, a direita conservadora raivosa, expressa pelos partidos da oposição (PSDB, DEM, PPS e aliados), tenta desviar o foco: a identidade da crise econômica com o modelo que eles impuseram ao Brasil durante a era FHC. Pior que isto, tentam se apresentar como a “alternativa” de poder para o país.

Conhecemos os resultados devastadores que os anos neoliberais trouxeram ao Brasil. Por isso, é nosso dever não medir esforços para barrar a possibilidade de sua volta ao poder. É um compromisso com o presente e o futuro da nação buscarmos a superação da crise e a consolidação, nas eleições de 2010, do caminho para o desenvolvimento soberano, a democracia e a ampliação dos direitos do povo.

Para estar a altura desses desafios, marcham juntos, em uma mesma chapa para o 51º Congresso da UNE, as lideranças e movimentos que subscrevem este documento. A todos os outros que concordarem e quiserem se somar a esse esforço de unidade pela transformação do Brasil, ficaremos honrados com a participação. Assim, fortaleceremos a histórica entidade em consonância com a vocação do movimento estudantil – a de figurar nas primeiras fileiras na luta pela democratização da educação e pelos verdadeiros interesses da nação.

Assinam:
Acionando Flores - CNB/PT-Pernambuco
Da Unidade Vai Nascer a Novidade - UJS
Kizomba - DS/PT
MDE - JS-PDT/São Paulo
Movimento Geração Estudantil - PMN/Permambuco
Movimento Mutirão - Juventude Pátria Livre
Movimento Ousadia - CNB/PT-Rio Janeiro

Confira a programação do 51º Congresso da UNE (clique aqui)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Carta do II Encontro de Estudantes Negros e Negras da UNE - ENUNE

Salvador, 07 de Junho de 2009


No Brasil, a principal comunidade que sofreu com a ação excludentes dos latifundiários e industriais foi a população negra. Primeiro, de forma escrava nas fazendas e depois como operários mutilados pelo capitalismo nas fábricas. Mas o povo negro jamais se curvou, resistiu nos quilombos, terreiros e movimentos negros, e construiu a luta pela superação do racismo na perspectiva da igualdade racial. É assim até os dias de hoje, e a partir desta óbvia constatação deve ser construída nossa intervenção em todas as camadas da sociedade

Fundada em 11 de agosto de 1937, a União Nacional dos Estudantes (UNE) é uma das organizações de mais longa vida na história do país, representam os estudantes universitários brasileiros, estes, cerca de quatro milhões de estudantes.

A partir da elaboração da juventude negra universitária e principalmente da contribuição do Movimento Negro, a UNE tem conseguido avançar no que tange ao debate racial e das políticas de Ações Afirmativas. Construímos a exemplo o ENUNE, a Campanha Por uma educação sem racismo - Pela defesa das Cotas Raciais, o ato nas Ruas do Rio de Janeiro em Junho de 2009 - em defesa das cotas, participamos do Fórum Baiano de juventude Negra e das comemorações do povo negro em Novembro.

A UNE sempre lutou pelos direitos das trabalhadoras e trabalhadores, estudantes, jovens do campo e da cidade. E sempre teve como central pensar políticas públicas para a juventude. É nesse cenário de mudanças e avanços nas PPJ que queremos dar foco para as demandas da juventude que historicamente tem tido menos acesso à Educação Brasileira.

Para nós é fundamental construir mecanismos específicos que tenham capacidade de incluir a juventude negra. Com esse eixo construiremos nossa intervenção no 51o Congresso da UNE com a pauta elaborada no II ENUNE, que é: Em defesa das Cotas Raciais, pela implementação de políticas de inclusão e permanência para juventude negra nas Universidades, contra a violência que a juventude negra sofre, pela ampliação da participação da UNE nas conferências e espaços que o Movimento Negro tem construído.

A UNE, a partir da elaboração do MN, tem capacidade de ter uma opinião mais avançada no que tange as demandas da juventude negra no debate de educação.

A UNE não tem nenhuma pretensão de ser a protagonista, mas quer dialogar com o Movimento Social para todos os dias construir nas Universidades do País a Luta Anti-Racista.

Estamos Juntos Na Luta Por Políticas Afirmativas Para um Novo Brasil!

UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES

DIRETORIA DE COMBATE AO RACISMO

www.une.org. br

www.unecombateaorac ismo.blogspot. com

sábado, 30 de maio de 2009

UNE. 30 anos.

Deu no site da Carta Capital (clique aqui)




A UNE, há 30 anos

Celso Marcondes


Nos dias 29 e 30 de maio de 1979 acontecia em Salvador, o 31º. Congresso da União Nacional dos Estudantes, o “Congresso da Reconstrução”, um evento histórico. Marcava o fim de 13 anos de ilegalidade, no momento que crescia a pressão sobre a ditadura militar.

O Congresso foi o resultado final de um árduo processo, pavimentado por quatro Encontros Nacionais de Estudantes e inúmeras reuniões. Participei de todos, entre eles o de junho de 1977, em Belo Horizonte, que foi o “Encontro que não ocorreu”, porque a PM cercou todo o centro da cidade e as proximidades da Universidade Federal de Minas Gerais. Partimos de São Paulo de madrugada e voltamos ao final da tarde, depois de muito andar perdido por BH. Éramos cinco num Passat, ida eufórica, volta frustrada.

Também inesquecível foi o seguinte, na PUC de São Paulo, em setembro do mesmo ano. Proibido pelo famigerado coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança Pública, mesmo assim o III Encontro aconteceria, em formato reduzido, numa sala de aula da universidade, onde não éramos mais de 40 pessoas. Irado, o coronel, assim que soube da realização do evento que havia burlado seu aparato, disparou a vingança sobre os mais de mil estudantes que realizavam na mesma noite um ato comemorativo da façanha. O resultado, todos conhecem: 900 estudantes presos, dezenas de feridos, alguns graves. Um dia para jamais esquecer.

Menos de um ano depois, no ainda em obras Centro de Convenções cedido pelo governador Antonio Carlos Magalhães, 10 mil estudantes se encontraram. Deles, 3.304 eram delegados eleitos em assembléias nas suas bases. À mesa, entre outros ilustres, José Serra e José Genoíno, ex-presidentes da UNE.

Não, leitor, eu não estava lá. Desta vez por um golpe de azar: nas vésperas do Congresso fui “transferido” – era assim que as organizações de esquerda chamavam as mudanças de área de atuação de seus militantes – e saí do movimento estudantil. Acompanhei o Congresso pela imprensa com uma lupa e muita frustração, aquela sensação de perder o melhor da festa.

Para escrever hoje tenho que recorrer a fragmentos da minha memória já um tanto gasta, recordando conversas com companheiros que voltaram de lá entusiasmados. E a depoimentos de quem viveu de dentro aquele momento. A internet me salva: no site da Fundação Cásper Líbero, Thais Sauaya Pereira, publica uma bela crônica, na qual conta sua aventura quando tinha 20 anos e pertencia à diretoria do Centro Acadêmico da Faculdade de Química da USP. Thais foi até Salvador de ônibus, fretado por mais de 40 estudantes paulistas. Ela fala da viagem de mais de 50 horas:

“Na ansiedade esfuziante, não diferíamos muito dos ônibus de excursão do ginásio, nem daqueles das torcidas de futebol. No entanto, tínhamos consciência de que aquele era um momento histórico: discutíamos com paixão o socialismo, a guerrilha, a ditadura, os rachas nas organizações clandestinas, os professores, as relações afetivas, o aborto, a falta de grana, o amor livre, morar sem os pais, as drogas, o cinema, Marx, Lênin, Engels, Trotsky, Stálin, Brecht, Chaplin, Glauber, Vittorio de Sica... enfim, o mundo”.

O Congresso ganhou o nome de Honestino Guimarães, último presidente da UNE, eleito em 1970, quando a entidade atuava muito precariamente na clandestinidade. Honestino era estudante da Universidade de Brasília, foi preso pelo Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), está desaparecido até hoje.
Javier Alfaia também estava presente e se tornaria presidente da entidade dois congressos depois. Em 1999 ele era vereador em Salvador. Aí, na Câmara Municipal, em sessão que comemorava os 20 anos do Congresso, ele discursou contando um pouco do clima na data:

“Enfrentando sucessivos cortes de energia elétrica, lançamento de substâncias tóxicas que irritavam os olhos de delegados e dirigentes da mesa, com os jeans ainda mais esbranquiçados pela caliça que se espalhava por todo canto daquele prédio em construção, nós consolidamos um marco na retomada do processo democrático”.

E falava com orgulho do povo soteropolitano: “Salvador recebeu a UNE de braços abertos. O Congresso mobilizou esta cidade. As famílias ligavam para os diretórios acadêmicos, para o DCE, e colocavam suas casas à disposição para receber os estudantes. Nós listamos cinco mil vagas de hospedagem em residências particulares, em casas de companheiros, de professores, em instituições”.

Foram dois dias de debates, de desencontros, de confusões. De sons, músicas e gritos. De oradores efusivos e de “questões de ordem”. De tensões e temores, de coragem e energia. As diversas “tendências”, que era o nome que dávamos na época aos agrupamentos políticos dos estudantes, conduziram os debates. Por trás delas, grupos e organizações clandestinas se construíam, em tempos que só dois arremedos de partidos eram permitidos pela ditadura, a ARENA e o MDB. “Caminhando”, “Liberdade e Luta”, “Refazendo”, “Novo Rumo”, “Centelha” eram os nomes de algumas delas, que reuniam então centenas, até milhares, de adeptos. Depois de muita discussão conseguiram aprovar uma “Carta de Princípios”, que seria a referência para a entidade que renascia.

Um grande debate tomou conta do encontro. Eleger ou não ali mesmo o presidente da entidade? Venceu a proposta das eleições diretas, que acabaram ocorrendo por todo o País em 3 e 4 de outubro, alguns meses depois. O baiano Ruy Cezar Costa Silva, estudante de comunicações na Universidade Federal da Bahia, foi eleito presidente.

A UNE renascia, quando movimento estudantil saudava a entrada em cena do movimento operário. Depois das greves metalúrgicas do ABC em 1978 e 79, lideradas por um certo Lula da Silva, os militares e seus apoiadores viam crescer uma oposição que logo se tornaria insustentável.

Thais resume o significado de tudo: “Naquele momento, a UNE era o maior símbolo de organização perseguida pela ditadura. Os sindicatos estavam sob intervenção, não havia uma organização geral de trabalhadores. A UNE era a única entidade nacional, afora a ABI, afora a OAB, que tinha uma base social significativa, era a única organização de caráter nacional que representava um corpo social expressivo e significativo em nossa sociedade. A reconstrução da UNE foi o símbolo das conquistas democráticas pelas quais o Brasil tanto precisava passar, foi uma contribuição fundamental e decisiva ao processo de democratização do País”.

Boa, Thais, assino embaixo.

Nesta semana que encerra maio, em vários cantos do País, a data está sendo lembrada. Em Araraquara, Salvador e Porto Alegre acontecem algumas delas. Enquanto isso, a UNE já prepara seu 50º. Congresso, que acontecerá de 15 a 19 de julho, em Brasília. E que CartaCapital começa a cobrir a partir de hoje.



Veja mais:

http://www.facasper.com.br/cultura/site/ensaio.php?tabela=&id=97
http://www.javier.com.br/livro_compromisso.htm
http://reconstrucaodaune.blogspot.com/
http://reconstrucaodaune.blogspot.com/2009/03/convocacao-para-o-congresso-de.html